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Coronhas
DYI ("Do It Yourself")
Introdução
Existem tantas técnicas de acabamento quanto coronheiros e entusiastas da
coronha DIY. Umas com base em óleos, outras com base em vernizes, umas mais
expeditas, outras mais trabalhosas, têm todas o objectivo primário de selar
a madeira, tornando-a estável sobre o ponto de vista higroscópico (manter
constante o teor de humidade na madeira )
Tendo a madeira um modelo físico comparável por exagero a uma esponja, este
tratamento vai garantir antes de mais a sua estabilidade dimensional, já que
à imagem de uma esponja, o volume aumenta ou diminui conforme o grau de
saturação das fibras em humidade.
A madeira (e quanto mais bonita pior) não tem uma estrutura homogénea, pois
tem ao longo do blank (bloco a partir do qual é esculpida a coronha)
diferentes densidades, diferentes orientações do grain (designação para a
orientação das fibras). É através deste que por capilaridade a água migra, o
que faz com que as dilatações ou contrações não sejam uniformes, causando
distorção, vulgo: empeno.
Diferenças entre acabamento a
óleo e vernizes.
Há expressões em inglês bastante ilustrativas da diferença entre os dois.
Sobre o acabamento a óleo diz-se ser “In the wood “ (Dentro da madeira). As
suas vantagens são: manutenção (e reparação) mais fácil, durabilidade
superior, melhor visibilidade da figura da madeira, toque mais natural,
nobreza e classicismo.
Sobre o acabamento a verniz diz-se ser “on the wood” (sobre a superfície da
madeira). A aplicação básica é mais fácil por um principiante, o aspecto é
mais brilhante (para quem goste, e em última análise, no caso de um
acabamento perfeito, é melhor a impermeabilização. Traz alguma beleza a uma
coronha feita a partir de madeiras pouco figuradas como a faia.
Lixagem
Começar com lixa #100 ou próximo.
Este ponto só deverá iniciar-se
após colocação e ajuste de chapa de coice da sua escolha, ajuste dos
encaixes à sua acção, assim como todas as alterações que queira fazer ao
formato geral da coronha. Os poros exagerados, fendas, vazios, Nós e outras
imperfeições normalmente encontradas na madeira deverão ser corrigidos,
enchendo as respectivas cavidades com epoxy transparente.
O objectivo nesta fase é conseguir
uma superfície livre de sombras, mossas, etc., mas tendo o cuidado de manter
todas as arestas presentes bem vivas. Para o efeito pode usar uma Lixadora
Vibratória, uma lixadora Orbital, ou um taco de borracha que pode adquirir
numa loja de pintura Auto. Zonas mais recônditas poderão ser trabalhadas com
uma pequena lima ou pequenos tacos de formas diversas envoltos em lixa, por
exemplo.
Quando lhe parecer que está pronta, limpe bem a coronha com uma esponja
húmida de modo a limpar o pó e fazer levantar "o pelo" (Whiskering) , após o
que a deve secar com um secador de cabelo, ou então deixar secar numa
divisão arejada.
Após a secagem, a madeira expandiu ligeiramente e a superfície ficou
bastante mais rugosa. isto deve-se à libertação gradual da compressão a que
a madeira foi sujeita durante o corte. Todas as imperfeições que pareciam
eliminadas estão de novo visíveis. É altura de voltar ao inicio. A seguir,
lixa #220.
É importante não esquecer que
devemos sempre lixar no sentido das fibras (with the grain) e não
transversalmente(across the grain).isto previne a formação de riscos
profundos.
deveremos repetir o processo de lixagem e limpeza com esponja húmida até que
os riscos da lixa #100 já não se vejam e o "pelo" deixe de levantar.
Dê atenção especial ás área de "end grain" ou seja as zonas em que o plano
de corte é perpendicular ao grain (frente do punho) pois estas zonas são
excepcionalmente duras e é preciso insistir para eliminar os riscos e marcas
de corte. (uma boa tábua de corte para cozinha é constituida de quadrados de
madeira em cortes transversais ao grain).
Repetir com lixa #320-360, sem
esquecer o “Whiskering” , controlando sempre com luz forte. Neste momento a coronha está pronta
a receber o acabamento.
Acabamento
i) Óleo
As técnicas de acabamento a óleo baseiam-se no uso de óleo de linhaça com
secativos metálicos. Algumas técnicas sugerem o enchimento dos poros da
madeira com um produto próprio, mas não aconselho essas técnicas pois
produzem uma superfície espelhada, mas onde a figura da madeira não
sobressai.
Passo a apresentar a que uso e que tenho aperfeiçoado com bons resultados. é
relativamente simples, e bastante impermeabilizante. Não é obrigatório
seguir à risca o método, antes pelo contrário é aconselhável a
experimentação de variantes da mesma em função do tipo de acabamento
pretendido, do enchimento de poros que desejamos, e ainda do tipo e
qualidade da madeira que estamos a trabalhar.
Logo após o Passo da lixa #320-360, aplicar Tru-Oil com a ponta dos dedos
forçando bem o óleo dentro da madeira. nesta fase a madeira absorve bastante
pelo que quando acabarmos a primeira passagem, podemos de imediato aplicar a
segunda (atenção às áreas de end-grain).
É boa ideia deixar a coronha num local seco e quente durante umas horas.
Repetir o processo até a madeira deixar de absorver e o Tru-Oil começar a
deixar uma camada brilhante à superfície depois de seco. Desta vez, o tempo
de secagem mínimo é de 24 horas (aqui acabou a fase de tratamento dos
encaixes).
Com um bloco de borracha de pintor ( Pequeno, com recorte para os dedos em
“dovetail” ) , lixar toda a coronha com lixa #360 e óleo de linhaça puro.
Atenção não arredondar as arestas, e seguir sempre as linhas das fibras.
Quando estiver este passo completo( sente-se bem a diferença na suavidade da
madeira), enxugar a coronha toalhas de papel de rolo de cozinha , removendo
toda a pasta castanha que estivemos a "fabricar", e aplicar uma camada fina
de Tru-Oil, muito bem espalhada. Deixar secar 24h no mínimo.
Repetir com lixa #360 e óleo, e depois de nova aplicação de tru-oil, com
lixa #600 e óleo. Esperar vários dias (2.a a 6.a por exemplo) para que o
Tru-Oil cure.
Por fim com lã de aço 000, limpar toda a coronha da ultima camada de tru oil
até esta estar completamente baça. e depois molhar outro pedaço fresco de lã
em óleo de linhaça puro e polir assim toda a coronha sempre na direcção das
fibras.limpar bem com o rolo de cozinha e examinar á luz àreas que precisem
de mais atenção, repetindo se necessário.
Deixar secar et voilá... Parabéns!
ii) Verniz (recomendado para
faia e laminados)
Convém seleccionar um bom verniz marítimo (poliuretano de dois componentes)
resistente aos UV. Sugiro a compra de um pequeno (o mais pequeno) rolo de
pintura e do respectivo tabuleiro.
Misturar os dois componentes na proporção indicada numa pequena quantidade e
aplicar em toda a superfície escorrendo bem o rolo após o embeber sem
esquecer a parte dos encaixes e a face onde a chapa de coice assenta .nesta
fase a madeira irá absorver bastante pelo que é possível fazer duas
aplicações antes do material começar a endurecer. Atenção aos escorridos.
Se houver recartilhados, secar o excesso de verniz nestas zonas com uma
toalha de papel deixar secar em local seco e sem pó, pendurado por um arame
da zona do gatilho.
Polimento
Com um taco de borracha e lixa 320-360, lixar com água para retirar todas as
saliências, picos, do verniz até a superfície ficar baça. Limpar com um pano
húmido e deixar secar. Verifica-se que o verniz tem crateras que ficaram por
encher, As zonas proeminentes forma aplanadas pela operação de lixagem.
Nesta fase inicial, não convém tentar alisar em demasia, pois a repetição
deste processo irá gradualmente encher estes vazios e criar uma superfície
plana.
Repita a aplicação de verniz e o processo de lixagem até que a superfície
fique com o aspecto desejado. Nessa altura lixar com lixa #600 e água.
Por fim, com uma boina de polimento montada num berbequim ou máquina de
polir, e massas de polir Auto de granulosidades sucessivamente menores,
polir toda a superfície, conseguindo assim um acabamento espelhado.
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